quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CORRETORES DE IMÓVEIS, legitimidade para o exercício!

É prerrogativa do Corretor de Imóveis a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo ainda opinar quanto a comercialização imobiliária.

Conforme a Lei 6.530 de 1.978, regulamentada pelo Decreto 81.871/78, só poderá exercer a profissão de Corretor de Imóveis aquele que estiver legitimado para tal.

LEGITIMIDADE -  Diante da predominância da ideologia legalista no senso comum jurídico brasileiro, busca enfatizar a extensão da concepção de legitimidade, para afirmar que a legitimidade é uma abordagem mais ampla do direito e que o direito justo é direito legítimo. Daí o aforisma de que "nem tudo que é ilegal é ilegítimo". Aborda, além da distorção da legalidade (legalismo), a distorção da legitimidade (a falsa legitimação). A busca do direito justo se completa com o enfoque democrático: a legitimidade sob o crivo dos interesses populares. Essa concepção encontra no Brasil e no mundo vários referenciais, segmentos das profissões jurídicas que trabalham o direito conforme aqueles interesses.

Como qualquer outra profissão regulamentada, aquele indivíduo que não atende as exigências de seu Conselho ou nele não está inscrito, não poderá desenvolver as atividades privativas da profissão; nesse sentido a Lei é clara: responderá civil e criminalmente todo aquele que comete ato ilícito no desempenho profissional ou exercem a profissão sem estar para isso regularmente inscrito.

Decreto Lei 3688/41 (... das contravenções penais)

Art. 47 - exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que a lei está subordinado o seu exercício.

PENA - prisão simples de quinze dias à três meses.

Uma vez protegido pelo imperativo da Lei o profissional imobiliário deve sujeitar-se às normas oriundas de seu Conselhos Regionais que em harmonia com a Constituição Federal vigente se faz presente em todo território nacional, criando condições de trabalho e disciplinando o seu funcionamento.

Os Conselhos Regionais (CRECI's) são os órgãos encarregados pela orientação e da fiscalização das atividade dos Corretores de Imóveis, tratam de processos envolvendo pessoas que não estando inscritos como profissionais, exercem ilegalmente a profissão e, assim por ignorar a legislação ou má fé lesam os clientes que a ele confiaram seus interesses; por não estarem inscritos nos Conselhos de sua região, denominam-se PSEUDO CORRETORES.

Quando flagrados e / ou denunciados, tem contra si instaurados processos pelo exercício ilegal da profissão, cuja consequência é uma Ação Penal Pública, por prática de contravenção. Artigo 47.

Como toda profissão regulamentada a lei prevê direitos e obrigações, que não podem ser ignoradas pelo Corretor. Esse profissional liberal deve estar sempre atento as normas e a legislação vigente, pertinentes a sua função visto que o mesmo responde penalmente por seus atos, quando age em desacordo com as normas legais, prejudicando dessa forma, por culpa ou dolo, os interesses de terceiros, sejam eles clientes, parceiros, estranhos.

Além da legislação específica, existem outras que o Corretor de Imóveis não pode ficar alheio tanto na esfera cível como criminal...

Para que possamos compreender a dimensão desta responsabilidade e como forma de ilustrarmos um pouco mais nosso conhecimento e aprimorar nosso desempenho no exercício da profissão, transcrevemos o artigo 65, da Lei 4.591/64, que dispõe sobre Condomínio em Edificações e Incorporações Imobiliárias.

Art. 65.  É crime contra a economia popular promover incorporação, fazendo, em proposta, contratos, prospectos ou comunicação ao público ou aos interessados, afirmação falsa sobre a construção do condomínio, alienação das frações ideais do terreno ou sobre a construção das edificações.


PENA - reclusão de um a quatro anos e multa de cinco a cinqüenta vezes o maior salário-mínimo legal vigente no País.

§ 1º incorrem na mesma pena:

I - o incorporador, o corretor e o construtor, individuais bem como os diretores ou gerentes de empresa coletiva incorporadora, corretora ou construtora que, em proposta, contrato, publicidade, prospecto, relatório, parecer, balanço ou comunicação ao público ou aos condôminos, candidatos ou subscritores de unidades, fizerem afirmação falsa sobre a constituição do condomínio, alienação das frações ideais ou sobre a construção das edificações;

II - o incorporador, o corretor e o construtor individuais, bem como os diretores ou gerentes de empresa coletiva, incorporadora, corretora ou construtora que usar, ainda que a título de empréstimo, em proveito próprio ou de terceiros, bens ou haveres destinados a incorporação contratada por administração, sem prévia autorização dos interessados.

§ 2º O julgamento destes crimes será de competência de Juízo singular, aplicando-se os artigos 5º, 6º e 7º da Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951.


§ 3º Em qualquer fase do procedimento criminal objeto deste artigo, a prisão do indicado dependerá sempre de mandado do Juízo referido no § 2º. (Incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)

       



quinta-feira, 12 de julho de 2012


CURY (A Construtora da sua casa)
Desde 1962, a CURY desenvolve edifícios, condomínios de casas e conjuntos habitacionais com foco no segmento econômico. Em Julho de 2007, foi anunciada a criação da CURY CONSTRUTORA E INCORPORADORA S.A., fruto de uma joint venture entre a Cury Empreendimentos e a Cyrela Brazil Realy, maior incorporadora do País.

Possui certificado ISSO 9001 desde 2001 e também Nível A (máximo) do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade na Habitação (PBQP-H).

Em 2008, ganhou o Top Imobiliário de Performance em Vendas (padrão popular).
Já em 2009, recebeu o Prêmio Master Imobiliário, ambos com o empreendimento Parque dos Santos.

Em 2010 e 2011, a CURY conquistou o Prêmio Top Imobiliário como a quinta maior Construtora de São Paulo, firmando-se como uma empresa modelo do segmento.

Conluiada com a HABITCASA (criada com o intuito de trazer Excelência em atendimento, vendas e serviços para um segmento muito especial do mercado imobiliário. A HABITCASA nasce com toda a força e a expertise de uma das mais renomadas e reconhecidas companhias do setor: a LOPES CONSULTORIA DE IMÓVEIS. Referência de profissionalismo e sucesso, a Lopes possui mais de 70 anos de experiência e está presente em 12 Estados do Brasil. Atualmente mais de 2 milhões de pessoas residem, trabalham ou desfrutam seu lazer em imóveis comercializados pela Lopes. A HABITCASA segue esses mesmos preceitos e tem como missão transformar o sonho de seus clientes em realidade).

HABITCASA, o sonho de morar começa aqui!
(Luiz Antonio Pereira dos Santos, CRECI116738F)

                                                                                                      

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A indispensabilidade da escritura pública na essência do art. 108 do Código Civil


Não há dúvida que o legislador se distraiu da essência do artigo 108 do Código Civil quando flexibilizou a indispensabilidade da escritura pública para negócios jurídicos levando em conta o valor do imóvel.

O artigo 108 do Código Civil encerra a regra geral da forma instrumentária essencial à validade dos negócios imobiliários, ao dizer: "Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País".

Dita norma tem grande relevância no campo dos negócios jurídicos imobiliários, exigindo indivisa atenção dos profissionais do direito, sobretudo daqueles que mourejam nas atividades notariais e registrais, pois baliza forma indispensável à produção dos efeitos pretendidos sempre que o negócio se referir a direitos reais sobre imóveis, onde a regra é a escritura pública, excetuando-se os casos previstos em lei especial - sendo especial, não é aplicável a hipóteses não contempladas - e os casos em que o valor do imóvel não ultrapassar a 30 vezes o maior salário mínimo vigente no País.

Fora isso, nenhum negócio envolvendo direitos reais sobre imóveis pode ser realizado sem escritura pública, sob pena de ser tido como não realizado, por inobservância da forma prescrita em lei, essencial à validade do negócio, não podendo, inclusive, e a toda evidência, ser registrado no Cartório do Registro de Imóveis, por submissão ao princípio da legalidade.

Casos especiais de exceções à escritura pública

As hipóteses em que é possível prescindir da escritura pública para a validade do negócio jurídico são: o compromisso de compra e venda de imóveis loteados (Lei nº 6.766/79, art. 26 (urbano); e art. 7º, Dec.Lei 2.375/87 (rural)), a venda e compra de imóvel de qualquer valor com financiamento mediante a contratação da alienação fiduciária em garantia, o mútuo com alienação fiduciária em garantia imobiliária, nos termos do SFI (Lei nº 9.514/97, arts. 38 e Parágrafo único do art. 22, com redação dada pela Lei nº 11.076/2004), a compra e venda de imóvel de qualquer valor com financiamento do SFH (art. 1º da Lei nº 5.049/66, que alterou o art. 61 da Lei nº 4.380/64), e, naturalmente, qualquer negócio jurídico envolvendo imóvel de valor igual ou inferior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País, por força da exceção trazida no artigo 108 do Código Civil.

Contudo, nem sempre se tem observado a indispensabilidade da Escritura Pública para a formalização dos negócios envolvendo direitos reais sobre imóveis, cuja conseqüência inarredável é a invalidade desses negócios, ainda que sejam registrados no competente Registro de Imóveis, posto que o registro não tem o condão de validar negócios nulos, nos quais se enquadram os formalizados sem revestirem a "forma prescrita em lei" (art. 166, IV, NCC; art. 82 e 130, CC 1916). Vejamos alguns exemplos.

Compra e Venda com o FGTS sem parcela financiamento

A compra e venda de imóvel com utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, sem financiamento de parcela do preço por instituição integrante do SFH deve ser formalizada por escritura pública, nos termos do artigo 108 do Código Civil. Ocorre que muitos desses negócios são formalizados mediante instrumento particular, invocando-se para tanto o disposto no art. 1º da Lei nº 5.049/66, pelo fato da CEF comparecer nesses contratos.

O art. 1º da Lei 5.049/66, que incluiu o § 5º ao art. 66 da Lei nº 4.380/64, diz: "Os contratos de que forem parte o Banco Nacional de Habitação ou entidades que integrem o Sistema Financeiro da Habitação, bem como as operações efetuadas por determinação da presente Lei, poderão ser celebrados por instrumento particular, os quais poderão ser impressos, não se aplicando aos mesmos as disposições do art. 134, II, do Código Civil (1916), atribuindo-se o caráter de escritura pública, para todos os fins de direito, aos contratos particulares firmados pelas entidades acima citados até a data da publicação desta Lei." (Grifamos)

Para compreendermos o alcance da norma acima, e não incorrermos num desvio de finalidade da lei, deve-se destacar que a Lei nº 4.380/64 teve por finalidade instituir "a correção monetária nos contratos imobiliários de interesse social, o sistema financeiro para aquisição da casa própria", criar "o Banco Nacional da Habitação (BNH), e Sociedades de Crédito Imobiliário, as Letras Imobiliárias, o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo" e dar "outras providências". Ou seja: em nenhum tópico da lei ela tem por finalidade regular negócios com utilização dos recursos do FGTS do próprio trabalhador, para cujo desiderato é despiciendo ser o agente operador integrante do SFH. Essa base é essencial para compreensão da extensão da norma autorizadora da realização dos negócios imobiliários mediante instrumento particular.

Aliás, o tópico destinado ao "Elemento Teleológico", na Hermenêutica e Aplicação do Direito, Carlos Maximiliano (Forense, 2001) diz: "Considera-se o Direito como uma ciência primariamente normativa ou finalística; por isso mesmo a sua interpretação há de ser, na essência, teleológica. O hermeneuta sempre terá em vista o fim da lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. A norma enfeixa um conjunto de providências, protetoras, julgadas necessárias para satisfazer a certas exigências econômicas e sociais; será interpretada de modo que melhor corresponda àquela finalidade e assegure plenamente a tutela de interesse para a qual foi redigida". (Grifos originais)

Destarte, para se aferir se há regularidade na formalização dos negócios de compra e venda de imóvel com utilização do FGTS, sem financiamento, através de contratos particulares, é necessário saber se esses negócios atendem à finalidade da lei que autoriza essa forma instrumentária, preenchendo os requisitos necessários, sem o que não encontram guarida para sua validade.

Nas partes sublinhadas do art. 1º da Lei nº 5.049/66, que é o que nos interessa, e tendo em mira as regras de hermenêutica citadas, podemos identificar dois elementos concorrentes para autorizar a formalização do negócio imobiliário por instrumento particular: 1) ser a entidade integrante do SFH parte no contrato, e 2) ser parte no contrato como integrante do SFH, ou seja: ser parte em razão de financiamento concedido para fins habitacionais, na forma e para os fins estabelecidos na Lei nº 4.380/64, pois não havendo financiamento razão não há para exigir-se a qualidade de "integrante do Sistema Financeiro da Habitação".

Contudo, nos negócios de compra e venda de imóvel com liberação dos recursos do FGTS sem financiamento, não há nenhuma necessidade de qualquer das partes ter a qualidade de "integrante do Sistema Financeiro da Habitação", e, se qualquer dos comparecentes tem essa qualidade, isso não tem o condão de ampliar o alcance do art. 1º da Lei nº 5.049/66 para hipóteses distintas do objetivo da Lei nº 4.380/64, de forma a alterar a essência do artigo 108 do Código Civil, dispensando-se a Escritura Pública. Ou seja: no contrato o que importa não é a qualidade de quem comparece, mas a qualidade com que comparece.

Na liberação de recursos do FGTS para aquisição da casa própria a Caixa Econômica Federal (CEF) atua na qualidade de agente operadora do FGTS (art. 4º, Lei nº 8.036/90) - cujo gestor é o Ministério da Ação Social (art. 6º, Lei nº 8.036/90) - e não como integrante do SFH, que é o fundamento legal para a CEF firmar negócios imobiliários mediante instrumento particular. A qualidade da CEF de integrante do SFH nada tem a ver com a sua qualidade de agente operadora do FGTS. São atribuições distintas e autônomas.

Ser a CEF integrante do SFH somente é relevante para a hipótese de aplicação dos recursos do FGTS em operações de financiamento, onde, evidentemente, os recursos utilizados não são os do próprio financiado, mas os da massa de trabalhadores, segundo critérios estabelecidos pelo Conselho Curador do FGTS, na forma fixada no art. 9º da Lei nº 8.036/90, o que é completamente distinto dos objetivos da Lei nº 4.380/64, aditada pelo art. 1º da Lei nº 5.049/66.

De forma que, invocar-se aquele dispositivo legal para firmar contratos particulares quando não há financiamento revela-se desvio de finalidade que não pode anular a essência do artigo 108 do Código Civil.

Aliás, a Corregedoria da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, através do MM. Juiz de Direito Auxiliar, Dr. Luiz de Mello Serra, em publicação do DOERJ de 14/12/2005, pág. 52, acolheu parecer do DEIAC, no sentido de que "nas hipóteses do pagamento total pela conta do FGTS, ou originando-se o seu complemento de quaisquer outras fontes que não as entidades supramencionadas" (leia-se: "BNH ou entidades integrantes do SFH"), "entendemos que não cabe ao dispositivo acima acolher o contrato em tela" (leia-se: "parágrafo 5º do artigo 61 da Lei 4380 de 21/8/1964, acrescentado pela Lei 5049 de 29/06/1966"), "devendo-se sim, proceder pela forma prescrita no artigo 108 do Código Civil Brasileiro", e determinou que devem "as serventias de Registro Imobiliário cumprirem as leis vigentes mencionadas".

Ademais, tendo-se em mira o conceito de que parte é "cada uma das pessoas que firmam entre si um contrato" (Michaelis), ou, ainda: "No sentido técnico-jurídico, seja na linguagem forense ou na terminologia usada em referência aos contratos, parte é toda pessoa que intervém ou participa de um ato jurídico ou processual, como interessado nele" (De Plácido e Silva) (grifamos), é questionável dizer que a CEF seja parte nos negócios onde comparece tão-somente para liberar os recursos do FGTS, assim como é questionável dizer que o Banco sacado é parte num negócio firmado entre o emitente de um cheque e o favorecido simplesmente pelo fato do pagamento do negócio ser realizado através do Banco sacado, ainda na hipótese de cheque administrativo, salvo no tocante à responsabilidade pela provisão do fundo (AgRg no Ag 32.939/RJ, Rel. Min. Antônio Torreão Braz, Quarta Turma, julgado em 26.10.1993, DJ 22.11.1993 p. 24960).

Por último, neste tópico, para o caso de se imaginar que a utilização do FGTS se enquadra nos objetivos da Lei nº 4.380/64 em razão do seu objetivo social de viabilizar a casa própria, não se pode olvidar que a casa própria focada pela mencionada lei é a da população de baixa renda, o que afasta de plano a maioria dos negócios realizados com recursos do FGTS sem financiamento, pois a conta do FGTS de pessoas de baixa renda quase sempre é insuficiente para adquirir imóvel sem financiamento. A regra, portanto, é a escritura pública.

Promessa de compra e venda

Eduardo Pacheco Ribeiro de Souza, em "A Promessa de Compra e Venda no NCC", artigo publicado no Boletim Eletrônico do Colégio Notarial – Seção Federal (www.notariado.org.br), diz que "na vigência do Código Civil de 1.916 prevaleceu o entendimento de que a promessa de compra e venda de bem imóvel poderia ser celebrada, em qualquer hipótese, por instrumento particular. Não incluído no rol dos direitos reais na legislação então vigente o direito do promitente comprador, acabou por predominar a corrente que defendia não ser o instrumento público da substância do ato".

O ilustre articulista aponta o cerne da admissibilidade da promessa de compra e venda por documento particular na égide do Código revogado: o direito do compromissário não tinha natureza real. Assim, bastava o compromisso de compra e venda ser firmado em caráter irrevogável para viabilizar a ação de adjudicação do direito contratado com vistas à obtenção da carta de adjudicação e o conseqüente registro no ofício imobiliário.

Porém, o novo Código Civil elevou à categoria dos direitos reais o direito do promitente comprador do imóvel, nos termos do art. 1.225, VII, e estabeleceu, no art. 1.417, que esse direito real à aquisição do imóvel é adquirido quando a promessa, em que não se pactuou arrependimento, é registrada no Cartório de Registro de Imóveis.

A relevância do art. 1.417 é acentuada no art. 1.418, que condiciona o direito de exigir a outorga da escritura definitiva, ou, em havendo recusa na outorga, o direito a requerer a adjudicação judicial do imóvel, ao promitente comprador titular de direito real; ou seja: àquele que registrou a promessa de compra e venda no Registro de Imóveis, tanto por exigência especial do art. 1.417 como pela regra geral do art. 1.227 do Código Civil.

Com isso, temos que essa nova orientação do Código Civil torna sem efeito a Súmula 239 do STJ, que reconhece o direito à adjudicação compulsória independente do registro do compromisso de compra e venda, pois não é aceitável que entendimento jurisprudencial prevaleça contra norma legal, sobretudo quando é clara, específica e atual.
Aliás, o Dr. Eduardo Pacheco, no artigo citado, diz: "Assim, é requisito indispensável para a adjudicação compulsória, dentre outros [...] o registro do instrumento de promessa. A Súmula 239 do STJ perdeu, portanto, eficácia para os negócios celebrados na vigência do novo Código". E acrescenta: "Joel Dias Figueira Jr., em Novo Código Civil Comentado, coordenação de Ricardo Fiúza, Saraiva, ressalta a perda de eficácia da súmula em mira, assinalando que o registro "se trata de condição necessária definida no próprio art. 1.417 do CC, ou seja, requisito que se opera ex lege para a configuração do próprio direito real, não podendo ser rechaçado por orientação pretoriana, ainda que sumulada, nada obstante perfeitamente adequada, antes do advento no novo CC".

Ademais, o art. 1.417, por via de conseqüência, torna inafastável a observância do art. 108 do Código Civil quanto à forma de instrumentar os negócios de promessa de compra e venda, cuja forma irrecusável em todos os casos é a escritura pública, mas que se torna obrigatória para os casos em que a lei não prevê o escrito particular, como é o caso dos contratos de promessa de compra e venda de unidades integrantes de incorporação imobiliária, nos termos da Lei nº 4.591/64, diga-se: o grande universo das promessas de compra e venda; pois sem escritura pública não será possível viabilizar o registro do contrato no Registro de Imóveis, e sem registro do contrato o promitente comprador não será detentor dos direitos reais de aquisição do imóvel, mas mero detentor de um crédito, correspondente ao valor desembolsado para aquisição do imóvel. Como conseqüência, caso o promitente vendedor desista do negócio, por alguma razão que lhe seja conveniente, o promitente comprador terá apenas direito às PERDAS E DANOS resultantes da resilição do contrato, mas não poderá exigir a outorga da escritura definitiva, por lhe faltar o requisito básico à pretensão: o direito real à aquisição do imóvel, na forma do art. 1.418 do Código Civil.

Assim, quanto ao art. 1.417 do Código Civil, duas conclusões são patentes: 1) o registro da promessa no Cartório de Registro de Imóveis para fins de constituição do direito real à aquisição é exigível em todos os casos de promessa de compra e venda de imóvel, visto que o artigo faz referência à "promessa de compra e venda, [...] celebrada por instrumento público ou particular", ou seja: em qualquer hipótese, observando, naturalmente, a forma instrumental do negócio estabelecida na lei (escritura pública ou escrito particular); 2) o art. 1.417 não possui conteúdo de forma dos negócios de promessa de compra e venda, sobretudo envolvendo direitos reais sobre imóveis, cuja matéria é regulada no art. 108 do Código Civil, posto que o conteúdo do art. 1.417 é a natureza dos direitos do promitente comprador, conforme destacado no TÍTULO IX – DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR.

Eduardo Pacheco, ainda, expressa opinião similar ao dizer: "O direito do promitente comprador é direito real (art. 1.225, VII), que se adquire com o registro (art. 1.227). À evidência, a promessa de compra e venda visa a constituição de direito real sobre imóvel, e portanto é da substância do ato a escritura pública. A promessa só terá eficácia, que é a aptidão para produzir efeitos (e dentre eles o de constituir direito real pelo registro), se for lavrada por instrumento público, ressalvadas as exceções".

De forma que, salvo as exceções legais, o compromisso de compra e venda de imóvel nunca deve ser firmado por documento particular, mas sempre por escritura pública.

O papel do Registro de Imóveis

A Lei nº 6.015/73, em seu artigo 1º diz que "os serviços concernentes aos Registros Públicos [...] para autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, ficam sujeitos ao regime estabelecido nesta Lei", esclarecendo, ainda, a Lei nº 8.935/94, artigo 1º, que os "Serviços notariais e de registro são os de organização técnica e administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos".

Assim, sem que façamos digressões sobre inúmeros conceitos doutrinários e jurisprudenciais acerca do papel do Registro de Imóveis, mas sem nos distanciar desses conceitos, não há dúvida que o Registro de Imóveis exerce um papel fundamental na segurança e eficácia dos negócios jurídicos. Esse papel é desempenhado, sobretudo, através da qualificação dos títulos que lhe são apresentados, mediante a observância de vários princípios (há quem enumere 21 deles - ERPEN, Décio Antonio e LAMANA PAIVA, João Pedro. Princípios do Registro Imobiliário Formal. Introdução do Direito Notarial e Registral, saFE, Porto Alegre, RS, 2004), sobretudo do princípio da legalidade, que se impõe logo no primeiro artigo da lei especial, ao dizer que "os serviços concernentes aos Registros Públicos [...] ficam sujeitos ao regime estabelecido nesta Lei". Ou seja: a observância dos limites legais é essencial para que o Registro de Imóveis cumpra seu papel, que é o de guardião da segurança e eficácia dos negócios jurídicos de que é repositório, sob pena de não realizar essa sua função.

Dentre o regime estabelecido na Lei º 6.015/73 está o disciplinado no artigo 221, incisos I a IV, que lista os títulos passíveis de ingresso no fólio registral imobiliário. No inciso II lemos que somente podem ser registrados "escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes e testemunhas, com as firmas reconhecidas [...]" (grifamos).

A lei que autoriza o negócio através de "escrito particular" é a que cria e/ou rege o negócio jurídico de forma especial, ou o Código Civil, de modo geral. Não havendo autorização em nenhum desses repositórios legais, o negócio não poderá ser firmado por instrumento particular com vista a obter o registro do título no Registro de Imóveis.

Contudo, diante do artigo 108 do Código Civil, esse mister se torna mais espinhoso para o registrador de imóveis, pois há minúcias que podem conduzir a interpretações e a procedimentos equivocados, tornando temerário o ato praticado.

O ponto escorregadio diz respeito à admissibilidade do instrumento particular para negociar direitos reais sobre imóveis com fundamento na parte final do artigo 108 do Código Civil, cujo requisito é o valor do imóvel transacionado, o que não pode ser confundido com o preço do negócio. A toda evidência, valor do imóvel e preço do negócio são coisas distintas. Todo imóvel tem um valor, mas nem todo negócio tem um preço, como ocorre com a doação pura (sem ônus ou encargo). 

A questão é: quando o registrador pode considerar preenchido o requisito do art. 108 do Código Civil, referente ao valor do imóvel, para autorizar a instrumentação o negócio por documento particular?

Nos negócios de doação, venda, permuta e dação em pagamento, pode-se considerar como valor do imóvel a avaliação da coletoria estadual (doação) ou municipal (venda, permuta, dação em pagamento) para fins de cobrança do imposto devido, e não, necessariamente, o valor atribuído ao imóvel nos contratos gratuitos ou o valor da transação (preço) declarado nos contratos onerosos, por razões óbvias: nem sempre o valor declarado é real.

Assim, num escrito particular em que a compra e venda é realizada por valor inferior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País e a guia do imposto de transmissão apresenta avaliação do imóvel com valor superior, está patente que o escrito particular não atende o disposto no artigo 108 do Código Civil, devendo ser exigida a escritura pública.

Nos negócios de constituição de garantia real, porém, não é possível utilizar o paradigma acima, em razão desses negócios não estarem sujeitos ao imposto de transmissão (art. 156, II, CR/88). Como o requisito do art. 108 não é o valor do negócio (preço), que no caso seria o valor do empréstimo, quase sempre inferior ao valor do imóvel, a aferição do requisito autorizador do escrito particular deverá ser o valor atribuído ao imóvel para fins de execução da dívida, ainda que em geral essa avaliação não corresponda ao valor efetivo do imóvel. O ideal, nesse caso, seria que se apresentasse junto com o título particular uma avaliação de um profissional habilitado. Porém, essa providência, além de onerosa, prescinde de fundamento legal.

Diante do exposto, destaca-se o papel do Registro de Imóveis em garantir a segurança e a eficácia dos negócios jurídicos que lhe são submetidos à qualificação para fins de constituição de direitos reais sobre imóveis, obstando, sem receio, o registro de documentos que não atendem o requisito de forma prescrita em lei, como é o caso dos escritos particulares de compra e venda de imóvel pagos, total ou parcialmente, com recursos do FGTS, mas sem o concomitante financiamento do SFH, haja visto a falta de autorização legal nesse sentido, como também de qualquer escrito particular de compromisso de compra e venda que não esteja precisamente amparado na lei, sejam os relativos às incorporações imobiliárias sejam os relativos ao valor do imóvel. A acolhida desses títulos sem a necessária autorização legal constitui violação que compromete a segurança e a eficácia dos negócios jurídicos imobiliários, nos termos da Lei dos Registros Públicos e do artigo 108 do Código Civil.

O valor da permissão do documento particular em razão do valor do imóvel

A ressalva na parte final do artigo 108 do Código Civil vem de certa forma perpetuar o disposto no art. 134, II, do Código Civil de 1916, de utilidade questionável. Perdeu o legislador uma boa oportunidade para ajustar aquela previsão legal a uma realidade prática que melhor atenda aos interesses sociais, regra de valor predominante em todo direito moderno, sem descuidar da segurança jurídica correspondente.

Basta fazermos um levantamento em todos os registros imobiliários do país para nos darmos conta do insignificante número de casos em que alguém se utilizou apropriadamente daquela previsão legal para instrumentar um negócio jurídico por documento particular. E as razões são óbvias.

Primeiro: quem negocia imóvel de tão baixo valor, em regra não tem a menor idéia que existe essa previsão legal.
Segundo: quem sabe dessa previsão, raramente, mas muito raramente, conhece o Direito o suficiente para elaborar um documento particular de forma que possa ter ingresso no Registro de Imóveis, levando-se em consideração que esses contratos devem ser elaborados em sintonia com as disposições dos artigos 222 e 225 da Lei nº 6.015/73; com as normas concernentes à capacidade e representação das partes, nos termos do Código Civil, e demais legislação (lei, em sentido material e formal, provimentos, instruções normativas, etc) no que diz respeito aos documentos (pessoais e do imóvel) e aos tributos indispensáveis à prática do ato. Ou seja: um universo infinitamente reduzido de pessoas faz uso dessa previsão legal.

Assim, o melhor é sempre se valer da escritura pública para viabilizar a regularização do imóvel, valendo-se do indiscutível conhecimento do tabelião acerca da matéria, evitando-se aborrecimentos e desgastes por ocasião do registro do título no Registro de Imóveis. Contudo, a permissão do instrumento particular para negócios relativos a direitos reais sobre imóveis na hipótese do art. 108 releva descompasso com a realidade social quanto à melhor forma de se promover a regularização desses negócios.

O mais lamentável é que isso ocorre exatamente quando há uma enorme consciência jurídica da importância da regularização fundiária como fator, sobretudo, e antes de tudo, de inclusão social, pois essa permissão desprestigia a regularização da forma mais simples e segura: a escritura pública.

Não há dúvida que o legislador se distraiu da essência do artigo 108 do Código Civil quando flexibilizou a indispensabilidade da escritura pública para negócios jurídicos levando em conta o valor do imóvel. Em vez disso, teria feito melhor se tivesse mantido o foco num valor de maior expressão que o valor do imóvel: a segurança jurídica dos negócios realizados através da escritura pública.

É viabilizando a escritura pública para todos os negócios jurídicos, com emolumentos condizentes com cada negócio, que se cumpre a essência do artigo 108 do Código Civil, e não dispensando a escritura pública exatamente para aqueles que mais necessitam dela: os menos favorecidos e ou leigos.

sábado, 10 de setembro de 2011

27 de agosto

Dia Nacional do Corretor de Imóveis

Parabéns Corretores de São João Del Rei

interpretar sonhos…

criar encantamento…

partilhar da emoção de muitas famílias…

essa é a grande vocação do Corretor de Imóveis!

Nossa atividade vai além de fechar negócios e assinar contratos.

Ela inclui a magia de transformar a imaginação em realidade.

E agir com ética, respeito e dignidade.

E num mercado cada vez mais competitivo, ao romantismo inerente à profissão, agrega-se a profissionalização.

A necessidade de desenvolver habilidades não apenas para fechar contratos, mas para prestar assessoria

em todas as etapas da negociação, garantindotranqüilidade e satisfação. Um exercício diário de conquistar confianças.

Ser corretor é plantar sementes.

Criar raízes e frutificar bons resultados.

É transformar sonhos em realidade…

e caminhar tendo a certeza de estar participando da conquista de uma vida!

Parabéns, Corretores pelo seu dia!

domingo, 10 de julho de 2011

O QUE UM VENDEDOR DE IMÓVEL NUNCA DIZ AO COMPRADOR


Posted: 08 Jul 2011 07:01 AM PDT

Compra de apartamento na planta pode esconder despesas elevadas que só serão notadas meses ou anos após a assinatura do contrato

São Paulo - O roteiro a seguir é de um filme bastante assistido por compradores de imóveis. O consumidor vai ao estande onde está sendo lançado um empreendimento imobiliário. Há várias atrações gratuitas: comida e bebida, um show com algum artista famoso e possivelmente até um sobrevoo de helicóptero pelo bairro. No centro do picadeiro, há um apartamento generosamente decorado por algum arquiteto famoso que transforma em realidade o imóvel que só ficará pronto dentro de três anos. O lindo apartamento de 45 metros quadrados de área útil custa 450.000 reais. O preço assusta muita gente, mas, após alguns minutos de conversa com o corretor, o sonho não parece impossível.
 
O vendedor diz que pelos próximos três anos o consumidor pagará parcelas mensais de 2.000 reais. Na entrega das chaves, será necessário desembolsar mais 28.000 reais. O pagamento antecipado, portanto, somará 100.000 reais – sacrificante para muitas famílias, mas vantajoso diante da realização do sonho da casa própria. O corretor (grifo nosso) então lembra que, dos 350.000 reais que ainda restam, 80.000 reais poderão ser abatidos com o uso do FGTS do comprador no momento da entrega da escritura e das chaves. Os demais 270.000 reais serão financiados por um empréstimo bancário com prazo de amortização de 20 anos e uma taxa de juros efetiva de 11% ao ano pela tabela Price. Cada prestação é estimada em 2.700 reais. O vendedor lembra que o valor das parcelas mensais é parecido com o que o comprador paga de aluguel. O negócio parece mesmo interessante.
No entanto, Marcelo Tapai, da Tapai Advogados, um escritório que se especializou em ações judiciais contra incorporadoras, explica que esse roteiro não passa de ficção. O comprador vai descobrir logo que qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. O primeiro choque será dado pelo INCC, o índice de inflação do setor da construção civil, que serve para corrigir contratos de compra de imóveis na planta. A cada mês, o INCC vai incidir sobre todo o saldo devedor do comprador. Se o INCC ficar em 1% logo no primeiro mês, a dívida será acrescida em 4.500 reais. Para quem acha que a estimativa de INCC de 1% é muito alta, é importante lembrar que apenas no último mês de maio o indicador alcançou 2,94%. É possível, portanto, que os pagamentos de 2.000 reais mensais não sejam suficientes nem para compensar o INCC e que, ao final de três anos, a dívida do comprador seja superior ao débito inicial.
Ainda crente de que fez um bom negócio porque os imóveis estão se valorizando muito rápido, o cliente pagará todas as prestações previstas. Na data estipulada em contrato para a entrega das chaves, no entanto, a incorporadora poderá não entregá-lo. A escassez generalizada de equipamentos e de mão de obra tem atrasado a entrega de boa parte dos empreendimentos lançados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Cientes disso, as incorporadora incluem na maioria dos contratos uma cláusula que estabelece que não é devida indenização ao cliente em caso de atrasos de até 180 dias na entrega do imóvel. Nesse período, o consumidor terá sua dívida corrigida mensalmente pelo INCC. Além disso, mesmo não tendo cumprido sua parte no acordo, a incorporadora vai cobrar a parcela das chaves de 28.000 reais porque o contrato especifica aquela data.
Outra possível fonte de estresse para o comprador ocorrerá quando a obra obtiver a certidão do habite-se, que atesta que o empreendimento atende as exigências da legislação municipal. Nessa data, a incorporadora poderá trocar o índice de correção do contrato do INCC pelo IGP-M. Até aí, não há muita diferença. O problema é que sobre o saldo devedor também serão cobrados juros de 12% ao ano – contra a taxa zero usada até então. Para transferir a dívida para um banco e conseguir juros mais amigáveis, o comprador precisará estar com as chaves e a escritura em mãos. Isso costuma ocorrer três meses após a concessão do habite-se. Segundo Tapai, no entanto, há casos em que a certidão vem um ano antes da entrega das chaves – para desespero do comprador.
Quando finalmente receber as chaves e a escritura e correr para o banco para financiar o imóvel por uma taxa efetiva de juros equivalente a 11% mais TR, uma nova surpresa poderá ocorrer. O imóvel comprado por 450.000 reais poderá ter se valorizado no período de três anos. Aparentemente positiva, a notícia tem um lado perverso. O FGTS só pode ser usado para abater o saldo devedor de imóveis de até 500.000 reais. Se o banco avaliar que agora o mesmo apartamento custa 600.000 reais, por exemplo, os 80.000 reais que estão depositados na conta do comprador no FGTS não poderão ser sacados.
 
A dívida, estimada neste momento em 500.000 reais, por exemplo, terá, devido ao valor do imóvel, de ser totalmente financiada fora do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que, em tese, oferece juros um pouco mais baratos. Para conseguir pagá-la, o comprador terá de elevar o prazo estimado para a quitação do empréstimo de 20 para 30 anos – arcando, portanto, com maiores custos financeiros para adquirir o mesmo bem.
Justiça
Segundo Tapai, há formas de evitar que a compra do imóvel na planta se transforme em um filme de terror. É importante conhecer as regras e fazer muito bem as contas antes de comprar um imóvel na planta. Ter economizado boa parte do dinheiro necessário antes de comprar o imóvel também ajuda. Optar por um apartamento seminovo ao invés do imóvel na planta pode ser outra solução (grifo nosso).
No caso das pessoas que já assinaram o contrato de compra e se sentem prejudicadas financeiramente, é possível atenuar os prejuízos na Justiça. Muitos juízes concedem liminares contra o pagamento da parcela prevista para a mesma data das chaves se as mesmas não tiverem sido entregues. Também há jurisprudência favorável no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que a correção do saldo devedor só seja alterada de INCC para IGP-M mais 12% ao ano no momento da entrega das chaves – e não na data da concessão do habite-se. Já no caso de atraso na conclusão da obra, a Justiça costuma entender que as incorporadoras têm o direito de corrigir o saldo devedor. O que pode ser questionado é apenas o indicador de correção: INCC ou IGP-M.
Se o comprador se sentir economicamente prejudicado pelo atraso porque teve de pagar aluguel por mais um ano, por exemplo, poderá mover uma ação contra a incorporadora cobrando danos morais e materiais. Para ganhar essa ação, entretanto, é importante ter documentos, fotos ou testemunhas que sirvam para provar que as promessas feitas pela incorporadora no momento da compra do imóvel não foram posteriormente cumpridas.
Fonte: João Sandrini – Exame.com